segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Exemplo Investimento Médio Prazo

Modelos da Internet para criação de galinhas


REFERÊNCIA 1
CRIAÇÃO DE FRANGOS E GALINHAS CAIPIRAS NO COMPLEXO CASTANHÃO PROJETO DE INCLUSÃO SOCIAL E MERCADOS ALTERNATIVOS

André de Freitas Siqueira²; Francisco Éden Rocha Dantas3

Este trabalho é fruto da implantação dos Projetos Produtivos que estão mudando a vida das famílias atingidas pela construção da Barragem do Castanhão - Ceará. Trata-se do convênio celebrado entre o DNOCS e SEBRAE que visa geração de renda e segurança alimentar aos reassentamentos no entorno da Barragem do açude Castanhão, com recursos oriundos do Governo Federal; ²Economista, Mestre em Ciências Avícolas, Consultor em Agronegócio; 3Eng. Agr., Mestre em Ciências Avícolas, Consultor em Agronegócio.

RESUMO: O projeto de produção de frangos e galinhas caipiras do complexo Castanhão é parte das ações realizadas pelo DNOCS em parceria com o SEBRAE, no desenvolvimento de atividades produtivas para as famílias atingidas pela construção do açude. Este projeto proporcionou as famílias reassentadas na Barragem do Açude Castanhão o desenvolvimento da atividade produtiva voltada à produção de carne e ovos caipira, possibilitando a geração de renda e segurança alimentar.

Palavras-Chaves: Avicultura Familiar, Inclusão Social e Alternativa de Renda.

1. INTRODUÇÃO

O objetivo e missão do projeto é a implantação de projetos produtivos que possibilitem geração de renda as famílias atingidas pela construção da barragem castanhão, tornando a atividade de produção de frangos e galinhas caipira viável a realidade local, dentro das condições adequadas de manejo e sanidade, possibilitando renda mínima de (1) salário mínimo por produtor beneficiado e segurança alimentar para família. A conquista social destes projetos deve ser creditada ao MAB - movimento dos atingidos por barragem.

O público e perfil econômico social dos beneficiados são compostos por famílias assentadas no entorno da barragem do açude castanhão em virtude da construção da barragem, carentes de renda e alternativas de projetos produtivos, capacitação técnica e organização associativa, composto por 84 famílias.

A elaboração e implantação deste projeto foram realizadas por profissionais especialistas em avicultura, que executaram as etapas seguindo uma seqüência de trabalhos descrita abaixo na metodologia.

2. METODOLOGIA

2.1 SELEÇÃO DAS FAMÍLIAS

Esta etapa foi fundamental para o sucesso do projeto, pois os beneficiados tiveram a opção de escolha da atividade que atendesse sua vocação. As atividades sugeridas foram: Caprinovinocultura, Piscicultura, Apicultura, Mandiocultura, Cajucultura e Avicultura caipira.

A aptidão para atividade foi fundamental durante todo o processo de implantação, capacitação e consolidação do projeto.

2.2 ENTREGA DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO

Após a seleção das famílias, foram entregues todo o material de construção necessário para a instalação dos aviários.

2.3 CONTRAPARTIDA DE MÃO DE OBRA

A mão-de-obra necessária para construção dos aviários foi à contrapartida da comunidade, que se organizaram em mutirões para execução do serviço.


2.4 CONSTRUÇÃO DOS AVIÁRIOS

O acompanhamento técnico desta etapa foi especializado, através das orientações do Médico Veterinário, Técnico em Edificações e Mestre em Ciências Avícolas, Dr. Carlos
Tadeu Lavor, que acompanhou as construções, orientando e corrigindo os procedimentos quando necessário, fruto do seu acompanhamento foram erguidos 84 aviários.

2.4 CAPACITAÇÃO DOS PRODUTORES

Após a construção dos aviários foram realizadas as capacitações envolvendo de forma
teórica e pratica todos os integrantes da família que estivesse relacionado direta ou indiretamente com a produção das aves. Foi comum nestas capacitações a presença das mulheres e filhos. As capacitações foram realizadas pelo Engenheiro Agrônomo e Mestre em Ciências Avícolas, Francisco Éden Rocha Dantas, atingindo 100% dos beneficiários com o curso de Produção de Frangos e Galinhas Caipiras.

O Curso sobre Associativismo – JUNTOS SOMOS FORTES também foi oferecido aos produtores, buscando trabalhar a interação da comunidade em processo coletivo de produção, estes cursos atingiram a totalidade dos beneficiados e foi ministrado pelo Economista e Mestre em Ciências Avícolas, André de Freitas Siqueira.

2.5 VACINAÇÃO DAS AVES EXISTENTES NO ASSENTAMENTO

Foram realizados mutirões para vacinação de todas as aves existentes nos assentamentos, com o objetivo de imunizar o plantel existente, aumentando a segurança no recebimento dos pintos. Foi adotada a metodologia desenvolvida dela EMBRAPA, de forma que as vacinas contra Newcastle, Gumboro e Diluente são misturadas ao milho em grão e fornecidas de forma direta, em campo, para as aves. Este procedimento assegurou a inexistência de enfermidades.

2.6 ENTREGA DOS MATERIAS DE CONSUMO

Foram entregues todos os materiais de consumo necessário para a implantação do projeto, comedouros, bebedouros, rações, vacinas, dentre outros.

2.7 PREPRARAÇÃO PARA RECEBIMENTO DOS PINTOS

Foi realizada a divisão dos grupos de criadores em cada assentamento, de forma que, os
pintos foram alojados coletivamente até os 14 dias de idade, os pinteiros foram preparados e equipados de forma a propiciar as condições ideais de temperatura, conforto, ventilação e sanidade. Círculo de zinco, lâmpada infravermelha, raspa de madeira, e formol, foram utilizado na preparação dos pinteiros.

2.8 ALOJAMENTO DOS PINTOS

Os pintos foram alojados de forma intercalada, evitando que os frangos fossem ofertados no mesmo período ao mercado local, foram realizados todos os alojamentos coletivamente e uma escala de horários definia a hora que cada produtor realizara os manejos necessários.

2.9 ACOMPANHAMENTO DOS LOTES – CONTROLES ZOOTÉCNICOS

Através de fichas de controle de produção foram registrados todos os dados necessários para acompanhamento dos resultados, a data de chegada, procedência dos pintos, consumo de ração, peso periódico das aves e mortalidade, programa de vacinação, compõe esta ficha.

As visitas de acompanhamento técnico foram realizadas com freqüência necessária a cada fase do projeto e foram realizadas. O acompanhamento do projeto é fundamental para a orientação continuada aos produtores e verificação dos resultados.

2.10 MISSÃO TÉCNICA AO PEC NORDESTE 2006

O SEBRAE proporcionou aos produtores missão técnica ao PEC NE 2006, possibilitando a participação de palestras e visitação de estandes da feira, além da integração e troca de experiências entre os produtores de diversos assentamentos.

2.11 COMERCIALIZAÇÃO DOS PRODUTOS – FEIRAS E CONAB

Foram realizadas palestras aos produtores sobre atendimento ao cliente, abordando a forma de atendimento, vestimentas, higiene pessoal, informações sobre a produção. O SEBRAE disponibilizou as comunidades, barraca, banner, batas, gorros e articulação junto às prefeituras e outras entidades nos municípios de Alto Santo, Jaguaribara, Jaguaretama, Jaguaribe, Morada Nova e Limoeiro do Norte e participação efetiva dos produtores na venda dos produtos.

Outra ação desenvolvida pelo SEBRAE foi à elaboração dos projetos CAEAF – Compra Antecipada Especial da Agricultura familiar da CONAB, projeto que beneficiou grande parte dos produtores na comercialização principalmente dos ovos, ofertando inclusive para Fortaleza, através de articulação com a Prefeitura de Fortaleza.

2.12 PRODUÇÃO DE RAÇÕES – AQUISIÇÃO MILHO CONAB

Alguns produtores passaram a fabricar sua própria ração, através da mistura de milho e
concentrado, diminuindo os custos de produção. Chegando a realizar compra em conjunto ao Programa de Venda de Milho em Balcão da CONAB, adquirindo o milho a preço competitivo.

2.13 PROJETO PARA COSTRUÇÃO DE MINI-ABATEDOUROS

Estão sendo elaborados projetos para implantação de mini-abatedouros com objetivo de atender todos os produtores, propiciar qualidade e sanidade no processo de abate e consolidar a comercialização dos produtos.

3. BREVE REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Para elaboração e implantação deste projeto nos valemos das experiências adquiridas no Curso de Mestrado em Ciências Avícolas da Universidade Estadual do Ceará, onde desenvolvemos pesquisa na criação e manejo de frangos caipiras de corte no sistema semi-intensivo de criação. Parte da pesquisa foi financiada pela FUNCAP e foi pré-requisito para conclusão do mestrado na elaboração da dissertação. Informações relevantes sobre o sistema de criação de frangos e galinhas caipiras foram evidenciadas por Morais e Silva (1998), “o assunto pastagens é de extrema importância para o sistema semi-intensivo, uma vez que, principalmente ele, confere aos produtos caipiras suas características peculiares”.

A produção de frangos e ovos caipiras em sistema semi-intensivo deve obedecer aos critérios de manejo corretos para que os produtos estejam em conformidade com o mercado consumidor exigente.

4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

A atividade de produção de frangos e galinhas caipiras no Ceará e em muitos Estados do Nordeste é uma atividade tradicional, fazendo parte do cotidiano das famílias rurais cearenses. A adoção de manejo adequado e técnicas de criação específicas às linhagens de frangos e galinhas disponíveis no mercado, fazem da avicultura familiar uma excelente atividade produtiva para agricultura familiar.

A utilização da mão-de-obra familiar, utilização de pequenos espaços de terra e fácil manejo produtivo são algumas características que contribuem para o fortalecimento da produção de frangos e ovos caipiras. O projeto desenvolvido em comunidades rurais do complexo Castanhão apresenta os Seguintes resultados zootécnicos e sócio-econômicos.

•Comercialização de aproximadamente 31.000 frangos caipiras e 1.300.000 ovos caipiras
•Preço médio do frango caipira sexto misto R$ 11,00 (onze reais)
•Preço médio do ovo caipira R$ 0,20 (vinte centavos)
•Faturamento dos produtores aproximado no período (2006/2007) – R$ 570.000,00
•Mortalidade média das aves no período de 1 a 90 dias: 1%
•Peso médio dos frangos mistos aos 90 dias: 2,5 kg
•Índice médio de postura (idade 50 semanas): 75 %
•Aproveitamento de Alimentos Alternativos disponíveis (capins, sorgo, frutas, verduras);
•Renda média mensal por família R$ 350,00;
•Segurança Alimentar da Família (Carne e ovos)
•Participação da mulher e filhos na atividade.

Os resultados apresentados atingiram aos objetivos do projeto, consolidando a produção de frangos e ovos caipiras como uma alternativa complementar de renda para as famílias da zona rural.

Os resultados zootécnicos da produção de carne e ovos, quanto à mortalidade, peso e conversão alimentar se apresentam em conformidade com os manuais das linhagens, conferindo as características peculiares dos produtos caipiras.

Os resultados sócio-econômicos obtidos com a implantação do projeto trouxeram para as famílias renda e segurança alimentar, através do consumo de carne e ovos.

CONCLUSÃO
A produção familiar de carne e ovos caipiras é uma alternativa de renda e segurança alimentar para famílias de baixa renda nordestinas.

O sistema de produção proporciona o envolvimento das mulheres e jovens no trato com as aves e necessita de pequenas áreas de terra para sua instalação, possibilitando ao homem sua ocupação em outra atividade, diversificando as fontes de renda da família. O acompanhamento técnico dos projetos foi fundamental para a implantação e consolidação da atividade no meio rural.

A adoção de critérios sanitários adequados traz segurança na produção local e reflete positivamente junto as ameaças vividas pelo setor avícola industrial, potencial exportador e refém de surtos e doenças.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
SILVA, R. D. M. & NAKANO, M., Sistema caipira de criação de galinhas. Piracicaba
1998.

Exemplo Investimento Médio Prazo


REFERÊNCIA 2

Os cálculos para estimativa de desempenho advêm da evolução zootécnica da espécie, onde com base no consumo de ração (CR) e do ganho de peso (GP) de cada fase ou de todo o ciclo reprodutivo estima-se, também, a conversão alimentar (CA), que é a razão entre as duas variáveis inicialmente citadas.

Tabela 1. Desempenho esperado para as aves no sistema alternativo de criação de galinhas caipiras.



TABELA1

MANEJO ALIMENTAR
Tem como objetivo principal suprir as necessidades nutricionais das aves em todos os seus estágios de desenvolvimento e produção, otimizando o crescimento, a eficiência produtiva e a lucratividade da exploração, já que o custo com alimentos representa 75% do custo total de produção.

O manejo alimentar proposto para o sistema alternativo de criação de galinhas caipiras prevê a integração das atividades agropecuárias, com o aproveitamento de resíduos oriundos da atividade agrícola. Tal fato não só permite a redução dos custos de produção, como também, a agregação de valores aos produtos, pois utiliza resíduos agrícolas, como a parte aérea da mandioca (folhas), que normalmente são abandonados no campo, transformando-os em proteína animal. Além da parte aérea da mandioca, que é rica em proteína, é possível se utilizar as raízes de mandioca, suas cascas e crueiras, que são subprodutos da fabricação da farinha e da goma de mandioca (Figura 1).


FIGURA 1

Outra fonte de alimento rico em proteína que normalmente é pouco aproveitada, embora apresente enorme potencial para a alimentação de galinhas caipiras, é o farelo de arroz, cujos teores de proteína bruta são de aproximadamente 15%. Este produto resulta do processo de beneficiamento dos grãos de arroz para consumo, sendo relativamente fácil de ser obtido, principalmente nas unidades agrícolas familiares que adotam o sistema de cultivo do arroz.

Por serem animais não ruminantes, as aves exigem que os alimentos contenham pouca fibra vegetal e sejam fornecidos de forma balanceada e devidamente triturados, a fim de facilitar a digestão. Alimentos fibrosos apresentam baixa digestibilidade, elevam os custos e atrasam o desenvolvimento das aves. Dessa forma, a dieta deve ser estabelecida de acordo com a exigência nutricional de cada fase do seu desenvolvimento, sendo que a formulação da ração deve ser feita com base nos teores de proteína apresentados por cada um de seus componentes, na sua eficiência alimentar (Tabela 1).


Tabela 1. Exemplo de uma ração formulada a partir de vários ingredientes e considerando-se as diferentes fases de desenvolvimento das aves.

Além dos produtos indicados, podem-se utilizar vários outros produtos, como fonte alternativa de alimentos para as aves, tais como fenos de feijão-guandu ou leucena, ou vagens moídas de faveira (Parkia platicephala), que é uma espécie abundante no Piauí. No caso de se utilizar qualquer uma dessas fontes de alimento, os seus teores de proteína devem ser considerados, a fim de permitir a formulação correta das rações e proporcionar um desempenho adequado das aves, conforme Tabela 1.

O sistema alternativo de criação de galinhas caipiras preconiza a construção de instalações simples e funcionais, a partir dos recursos naturais disponíveis nas propriedades dos agricultores, tais como madeira redonda, estacas, palha de babaçu, etc. O principal objetivo dessa instalação é oferecer um ambiente higiênico e protegido, que não permita a entrada de predadores e que ajude a amenizar os impactos de variações extremas de temperatura e umidade, além de assegurar o acesso das aves ao alimento e à água.

Tais instalações consistem em um galinheiro com área útil de 32,0 m2 e divisões internas destinadas a cada fase de criação das aves: reprodução (postura e incubação), cria, recria e terminação (Figura abaixo). A área do galinheiro deve ser dimensionada de modo a proporcionar boa ventilação, luminosidade, drenagem, facilidade de acesso e disponibilidade de água. O piso deve ser revestido com uma camada de palha (cama) de 5 a 8 cm de espessura, distribuída de forma homogênea, podendo-se utilizar vários materiais como maravalha ou serragem, palha, sabugo de milho triturado ou casca de cereais (arroz). A remoção e substituição da cama, bem como, a desinfecção do aviário com cal virgem devem ser periódicas.



Com exceção da área destinada à incubação e cria, as demais divisões internas devem permitir o acesso a piquetes de pastejo, com dimensões variáveis, capazes de atender às necessidades das aves e de abrigar todo o plantel de cada fase de criação (Figura abaixo). Os piquetes devem ser cercados de material semelhante ao utilizado no galinheiro e que seja capaz de evitar a entrada de predadores.



A fase de reprodução se caracteriza por apresentar uma relação macho/fêmea de 1:12, cujas aves devem possuir idade entre 6 e 24 meses. O peso vivo estabelecido para os machos deve ser de 2,0 a 3,5 kg, enquanto que, para as fêmeas, de 1,6 a 2,5 kg. A substituição dos reprodutores deve ser semestral, tendo em vista que, também, a cada semestre, ocorrerá a reposição das matrizes, que são oriundas do mesmo plantel e, portanto, filhas do reprodutor em serviço.

Nessa fase de criação, a instalação deve ter subdivisões destinadas à postura e à incubação. Esse artifício permite um maior controle sobre a postura, evita perdas com a quebra de ovos, proporcionando-lhes maior higiene e manutenção de sua viabilidade.

Na subdivisão de postura, as aves permanecem em regime semi-aberto, na qual a área coberta é de 3,75 m2, equipada com 2 a 4 ninhos de 0,35 m x 0,35 m, 1 bebedouro de pressão e 1 comedouro em forma de calha. O enchimento dos ninhos deve ser feito com o mesmo material utilizado na cama do aviário. A área de pastejo destinada a essa fase é de 40,0 m2, onde as aves complementam sua alimentação. A fase de postura dura aproximadamente 15 dias, ao longo da qual o número de ovos por matriz varia de 10 a 14. Por sua vez, na subdivisão de incubação, as aves que estiverem incubando seus ovos (chocando) permanecem em regime fechado, em uma área de 2,25 m2, equipada com 3 a 4 ninhos de 0,35m X 0,35m, 1 bebedouro de pressão e 1 comedouro em forma de calha. O período de incubação dura 21 dias, após o qual, as matrizes devem retornar imediatamente para a divisão de postura onde, após 11 dias de descanso, iniciarão um novo ciclo de postura.

No sistema de incubação natural, em que a própria galinha é quem choca os ovos, um ciclo reprodutivo dura 47 dias. O número de ovos a ser chocado por cada matriz pode variar de 12 a 15, de acordo com o tamanho da mesma. Entretanto, é possível se utilizar chocadeiras elétricas as quais, embora representem um custo adicional ao sistema de produção, podem ser adquiridas de forma coletiva. Seu maior benefício, porém, consiste na redução do ciclo reprodutivo das matrizes para 26 dias, visto que, após a fase de postura, as mesmas entram diretamente no período de descanso.Tal fato resulta em um aumento do número de ciclos anuais por matriz, passando de 7 para 13.

Na fase de cria, os pintos permanecem desde o seu nascimento até os 30 dias de idade, em uma área coberta de 2,25 m2, equipada com 1 comedouro tipo bandeja e 1 bebedouro de pressão. Essa divisão dá acesso a um solário de 2,0 m2. Torna-se imprescindível nesta fase a proteção térmica dos pintos, além do fornecimento de água e alimento. Nesta fase, também, se dá início aos procedimentos para imunização do plantel.

A fase de recria inicia-se na quarta semana (aos 31 dias de idade dos pintos) e se estende até os 60 dias de idade, com os pintos permanecendo em regime semi-aberto, em uma área coberta de 3,75 m2, equipada com 2 bebedouros de pressão e 2 comedouros em forma de calha. Nessa fase, embora a fonte principal de alimento seja a ração devidamente balanceada, a alimentação das aves pode ser complementada mediante uso de um piquete de pastejo com dimensão de 20,0 m2. O reforço na imunização do plantel torna-se muito importante.

A fase de terminação inicia-se aos 61 dias e estende-se até os 120 dias de idade, quando as aves apresentam peso vivo de aproximadamente 1,8 kg, estando prontas para o abate. A área coberta destinada a essa fase é de 20,0 m2, equipada com poleiros, 4 bebedouros de pressão e 4 comedouros em forma de calha. Nesta fase, as aves têm acesso a um piquete de pastejo de 1.800,0 m2, o qual pode conter gramíneas como a Brachiaria humidicola, além de fruteiras como goiabeira, cajueiro e mangueira, que servirão como uma importante fonte de alimento, em complementação à ração fornecida.





Exemplo Investimento Médio Prazo

REFERÊNCIA 3

Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP
Criação caipira (Dulcy de Oliveira Takasse)
Equipe de Avicultura/FZEA-USP

Quando quisermos ter algumas galinhas soltas, é necessário que tenhamos um galinheiro, mesmo que seja rústico, para abrigá-las durante a noite ou nos dias chuvosos. Esse galinheiro deve ser fechado com tela de arame e serve, também, para prendermos as galinhas, todos os dias, pelo menos até as 10 ou 11 horas da manhã, para que a maior parte delas bote os ovos dentro dos ninhos ai colocados. Quando isso não é feito, elas fazem seus próprios ninhos no mato, sendo multas vezes, difíceis encontrá-los e, quando o fazemos, os ovos já estão velhos ou estragados, a galinha os está chocando ou já com os pintinhos nascidos.

A coleta dos ovos deve ser feita todos os dias e neles deve ser escrita a data da postura. Quando uma galinha fica choca, devemos preparar um ninho de palha, podendo a galinha chocar de 13 a 15 ovos, dependendo do seu tamanho. A certa distância do ninho deve ser colocada, sempre, água e comida. A eclosão se realiza em 21 dias, nascendo os pintinhos que devem ficar no ninho até que toda a ninhada haja nascido. Após, serão levados junto com a galinha, para um galinheiro seco, de preferência com uma cama de palha, de sabugo de milho ou de maravalha fina, onde são soltos. Sobre uma tábua, folha de jornal ou papel, colocamos um bebedouro e um pouco de quirera de milho ou ração balanceada, para facilitar os pintinhos a ciscarem e a descobrirem a comida. Depois de alguns dias, com o tempo bom, com sol, eles já podem ser soltos.

O problema da galinha caipira é que bota pouco mas, em compensação, os gastos com ela são multo pequenos. Nem sempre, porém, podemos criar galinhas soltas, porque elas podem estragar hortas, jardins e outras plantações, além de sujarem tudo por onde passam. Nesse caso, podemos adotar o método que se segue e já adotado, com todo sucesso, para a produção de ovos e frangos para consumo.

Sistema de Confinamento

Os resultados são bem melhores do que os obtidos com o método anterior. Podemos utilizar instalações simples, práticas e funcionais e de baixo custo. Para atingirmos o nosso objetivo, ou seja, carne e ovo com fartura, devemos ter, normalmente, 20 poedeiras com uma produção média de 14 a 18 ovos por dia que era suficiente para o consumo da família e sobrava multo ovo.

Instalações

As instalações devem conter um pequeno galinheiro de alvenaria, com terreno inclinado, com o piso de cimento 20cm acima solo, situado em local bem seco e protegido por valetas para evitar infiltrações em seu interior. As duas cabeceiras e uma parede lateral deve ser fechada até ao telhado e a outra lateral com a metade de cima de tela de arame.

O telhado pode ser de uma água para maior economia de material e a porta fica em uma das cabeceiras. Na lateral de tela deve haver uma cortina de plástico para proteger o galinheiro, dos ventos, das chuvas e do frio. Sobre o piso uma cama de maravalha fina, mas que poderia ser de sabugo picado de milho ou outro material absorvente. Deve ser protegido dos ventos dominantes na região e com a frente ou parte aberta para o nascente, para que nele penetrasse o sol da manhã. Essas regras não são rígidas e podemos construir o galinheiro com outros materiais e outras técnicas como telhas de fibrocimento, terra batida; telas em mais de uma parede (desde que haja cortinas para cobri-las quando necessário).

A cobertura pode ser de uma ou de duas águas etc. Seu tamanho depende do abrigar. Pode, como já o mencionamos, ser rústico, econômico, desde que preencha um mínimo de condições e de conforto para as aves. Os quadrados exigem menos material e saem mais baratos. Nas regiões mais quentes, devem ser pintados de branco, por fora, inclusive os telhados, para absorverem menos calor solar e ficarem mais frescos. Podemos adotar um método misto, da seguinte maneira. Compramos lotes de 50 pintos de 1 dia, de raça para postura e os colocamos no galinheiro, sobre a cama, como já mencionamos anteriormente.

Quando as frangas chegaram à época da postura, fazemos uma seleção rigorosa, escolhendo as 20 melhores e colocamos em gaiolas individuais, penduradas em uma das laterais do galinheiro. Os frangos e as frangas não selecionados continuaram no chão, sobre a cama, para serem abatidos quando necessário. Para que eles não ficassem debaixo das gaiolas e se sujassem com as fezes delas caídas, nos as isolamos com uma tela de arame. Dessa maneira, o aproveitamento do galinheiro é bem maior, com grande economia de espaço e de dinheiro. Com a aquisição regular, nas épocas certas, as poedeiras eram descartadas após a primeira postura, dando lugar a novas frangas, o que nos garantirá ovos e frangos durante todo o ano.

Sua capacidade por metro quadrado quando o confinamento é total, é de 20 pintos até 6 semanas, 10 pintos até 12 semanas, 4 ou 5 aves adultas das raças leves ou 3,5 das raças ou tipos pesados, não devendo ser ultrapassados esses limites, para evitar aglomerações, sempre prejudiciais.

A cama é uma camada de 15 a 20cm de espessura, sobre o piso do galinheiro. Pode ser de maravalha fina ou cepilho de madeira (fita de desempenadeira). O pó de serra ou maravalha grossa não serve. Capim bem seco e picado, sabugo de milho, picado, triturado ou mesmo inteiro, bagaço de cana bem seco e bem picado, palha de arroz, casca de amendoim e areia (principalmente para marrecos) também podem ser usados como cama.

Suas vantagens são: possibilita a criação "no chão" sob ótimas condições; traz economia nos gastos com instalações; reduz o trabalho e a mão-de-obra com serviços de limpeza, pois a cama pode permanecer durante meses, desde que não fique úmida; não dá mau cheiro; evita o aparecimento de moscas; sobre ela podem ser criadas aves de todas as idades, categorias ou produções; as aves podem viver sobre ela durante toda a sua vida sem necessidade de serem transferidas para outras instalações; absorve a umidade das fezes, mantendo o piso sempre seco, diminuindo o risco de doenças como a coccidiose, p.ex.; facilita o fornecimento de água e de ração, porque permite o emprego de bebedouros e comedouros de diversos tipos e o manejo torna-se mais fácil e econômico.

Além disso, depois de usada, serve de alimento para bovinos, suínos, peixes etc. ou pode ser usada como um excelente adubo para lavouras hortas ou pomares. Quando notarmos que a cama está ficando úmida, devido ao acúmulo de fezes, devemos revolvê-la e depois colocamos sobre ela, outra camada nova de 5 a 10cm de espessura e do mesmo material. Essa operação pode ser repetida, sempre que necessário.
GAIOLAS:

As gaiolas mais indicadas são as de arame galvanizado, penduradas ou colocadas em baterias de 1 ou mais andares. Podem ser individuais; para 2 aves (duplas) ou então coletivas, para 20 a 40 cabeças. As gaiolas individuais são as mais indicadas porque facilitam o descarte; aumentam o aproveitamento da ração; concorre para a produção de ovos maiores; reduzem o canibalismo; diminuem a competição social; reduzem o aparecimento de parasitas internos; possibilita maior aproveitamento das instalações, pela substituição das aves mortas ou descartadas etc. . Podem ser instaladas dentro de galinheiros, galpões ou coberturas rústicas, sem ser paredes, sendo a proteção feita por cortinas de plásticos ou cercas vivas próximas, servindo de quebra-vento. São utilizadas para as poedeiras, sendo dispensados os ninhos, pois elas põem sobre os pisos das gaiolas e os ovos rolam para um anteparo, de onde são recolhidos. Essas gaiolas possuem acoplados, os comedouros e bebedouros.

Criação sobre a cama: No galinheiro com cama, devemos colocar os comedouros de preferência circulares e de abas "automático" e os bebedouros de calha com água corrente, em número e tamanho de acordo com as aves existentes e o seu número, pois esses acessórios podem ser especiais para pintos, frangos ou aves adultas.

Aquecimento: Os pintinhos podem ser levados diretamente para o galinheiro e colocados logo sobre a cama, desde que lia campânula ou uma lâmpada de raios infravermelhos para aquecê-los e os comedouros e bebedouros já abastecidos. No primeiro dia podemos forrar a cama com folhas de jornal e, sobre ela, espalhar um punhado de ração para que os pintinhos comecem a comer o seu primeiro alimento. No 2º ou 3º dia, o jornal já pode ser retirado e a ração colocada somente nos comedouros. Para que os pintinhos não fiquem longe da fonte de calor, sintam frio e possam até morrer, devemos fazer uma "cerca" papelão ou de madeira em volta e a certa distância da fonte de calor. À medida que os pintinhos vão crescendo e empenando a cerca vai sendo afastada até ser retirada, ficando as livres para andar por todo o galinheiro. As melhores campânulas são as elétricas, mas podem ser a gás, biogás e mesmo a carvão, estas últimas com o perigo de intoxicarem os pintos, se sua chaminé não funcionar direito.
Comedouros:

deve proporcionar um espaço linear de 2,5cm para aves até 2 semanas; 4,5cm para as de até 6 semanas: de 7,5cm para as aves de 12 semanas em diante e de 15cm para as poedeiras . São necessários comedouros com espaço suficiente para todas as aves, para evitar a competição pela comida.

Bebedouros:

os mais indicados são os tipos "calha", devendo ter 2,5cm lineares por cabeça. Além disso, devem ficar sobre estrados, para que a água respingada ou derramada não caia sobre a cama, formando uma zona úmida, propiciando desenvolvimento de bactérias e parasitas como os da coccidiose.

Poleiros:

quando o galinheiro é rústico, mais usado para as aves se abrigarem durante a noite, sendo soltas durante o dia, é aconselhável que coloquemos poleiros para que elas neles se acomodem. São peças de madeira de 5cm x 4cm e de comprimento variável. Suas maiores vantagens são evitar que as aves se aglomerem durante a noite e permitir maior circulação de ar entre elas, o que é muito benéfico, principalmente nos climas quentes e no verão. Devemos, no entanto, seguir algumas regras, entre as quais: colocar todos os poleiros no mesmo nível e no máximo a 60cm de altura do solo; calcular 15 a 18cm lineares de poleiro para cada ave; fixá-los com um espaço de 35 a 40cm entre eles; colocá-los sobre armações de tela de arame ou mesmo ripados, para evitar que as aves, passando debaixo deles, entrem em contato direto com as fezes e a umidade, o que lhes é prejudicial.
Ninhos:

são simples caixotes com um pouco de palha e colocados dentro dos galinheiros ou abrigos. Podem medir 30cmx30cm. A proporção deve ser de 1 ninho para 4 ou 5 galinhas. Seleção de frangas: para isso, devemos escolher as maiores, mais bem conformadas e as que tenham as canelas, bico e pele bem amarelos, pois isso significa que são precoces e que irão entrar em produção, mais cedo. Quando próximas do início da postura, suas cristas e barbelas ficam de cor vermelho vivo e brilhante, grandes, macias, elásticas e quentes. Um mês depois de iniciada a postura devemos descartar as frangas que não estiverem botando ou cuja postura for multo baixa. No caso de querermos galinhas caipiras e, com elas, produzir os pintos e ainda carne e ovos podemos, com 50 galinhas e 2 galos, produzir, em 1 ano, 250 dúzias de ovos, sendo 170 para consumo e 240 frangos, ou seja. 450kg de carne. Para isso, devemos ter um cercado, mesmo que com cercas rústicas, com uma área de 1.300m2. Também a alimentação pode ser obtida no sitio, constando de milho e outros cereais, abóbora, mandioca, restos de hortaliças, etc. (Acarpa/Emater).

Galo de raça pura:
Quando quisermos fazer uma criação de galinhas "tipo caipira", podemos fazê-lo com galinhas e galos "caipiras", isto é, galinhas comuns, sem raça definida, mas com as vantagens de serem muito resistentes, embora produzindo poucos ovos por ano, mas praticamente "de graça", pois não exigem quase nenhuma despesa, exceto um punhado de milho pela manhã. Para aproveitarmos essas vantagens e a rusticidade da galinha caipira, mas aumentarmos a produção de ovos da criação e uma certa melhoria na qualidade da carne e no tamanho dos frangos, basta substituirmos os galos caipiras por galos de raças puras como, por exemplo, a Rhodes Island red (rodes vermelha) a New-Hampshire, a Plimouth barred (carijó), a Light Sussex e outras, pois os pintos nascidos serão 1/2 sangue da raça empregada como melhoradora, sendo mais resistentes e produtivos seus pais, pois terão o chamado "vigor híbrido", que aparece nos híbridos e mestiços de 1ª geração.

Criação de raças puras:
podemos criar, no terreiro, à solta ou em cercados, galinhas e galos puros das raças mencionadas anteriormente. Além de serem rústicas, sua produção de ovos, mesmo das citadas raças, que são mistas para ovos e carne, é bem maior do que a das caipiras, sua postura começa mais cedo e os frangos são maiores, mais precoces e de melhor carne. Além disso o criador poderá vender ovos para incubação, por um preço maior do que o das galinhas comuns, bem como frangas, e galos para quem quiser criar essas raças.. Quando desejarmos somente mais ovos, não nos importando com a produção de frangos, podemos usar as leghorn branca ou leghorn perdiz ou a minorca.